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No ônibus urbano: o estresse visível que poucos veem

  • Mobs2
  • 17 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 21 de nov. de 2025

Você já reparou no semblante do motorista de ônibus enquanto tenta conduzir em meio ao caos das grandes cidades?


MOTORISTA DE ÔNIBUS

Entre buzinas, semáforos, congestionamentos, passageiros impacientes e metas de horário quase impossíveis, há uma tensão silenciosa que poucos percebem — mas que todos sentem.


Dirigir um ônibus urbano, especialmente nas capitais e regiões metropolitanas do Brasil, é uma das profissões mais estressantes do mundo moderno.


E o mais preocupante: esse estresse não é apenas psicológico — ele afeta diretamente a segurança, a saúde e a qualidade de vida de milhares de trabalhadores que mantêm as cidades em movimento.


Este é o segundo artigo da série da MOBS2 sobre “A Gestão da Emoção no Setor de Transportes.” E o tema de hoje é uma realidade que se impõe em cada esquina: o estresse urbano que se esconde por trás do volante de um ônibus.


A rotina que desgasta corpo e mente


Estudos nacionais e internacionais vêm alertando para a sobrecarga emocional dos motoristas de transporte urbano. Um levantamento da Fundacentro (SP) revelou que 82% dos motoristas de ônibus afirmam viver em constante estresse durante o trabalho, e 48% relatam sintomas físicos e psicológicos, como dores musculares, insônia, irritabilidade e ansiedade.


Outro estudo, publicado na revista International Archives of Occupational and Environmental Health, mostrou que motoristas de transporte público estão entre as categorias com maior risco de adoecimento mental — superando até profissionais de segurança e saúde. Nas grandes capitais, o cenário é ainda mais crítico.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cidades com mais de 5 milhões de habitantes têm índices até 25% maiores de transtornos relacionados ao estresse, e que o tempo médio gasto no trânsito é um dos principais preditores de esgotamento emocional. Segundo o IBGE, motoristas de ônibus urbano em São Paulo e Rio de Janeiro passam, em média, 6 a 8 horas diárias sob tensão contínua, com interrupções mínimas para descanso.


A pergunta é inevitável: quem cuida de quem carrega o peso das cidades?


O ciclo do estresse: causa e efeito


O estresse desses profissionais não nasce do nada — ele é o produto direto de um sistema urbano desorganizado. E seus efeitos vão muito além do emocional: refletem-se no comportamento, na atenção e até na segurança dos passageiros.


Vamos entender essa cadeia de causa e efeito:


a) Causa: trânsito congestionado, horários apertados, jornadas longas. Efeito: aumento da pressão arterial, liberação excessiva de cortisol e queda na capacidade de concentração.


b) Causa: cobrança intensa por cumprimento de horários e metas de produtividade. Efeito: condução mais agressiva, ultrapassagens arriscadas e perda de empatia no trato com passageiros.


c) Causa: agressões verbais e, em muitos casos, físicas por parte de passageiros. Efeito: sensação de insegurança, ansiedade e medo — o motorista entra em estado de alerta permanente, que o esgota física e emocionalmente.


d) Causa: ausência de pausas adequadas para descanso, alimentação ou higiene. Efeito: exaustão mental e física, que leva a erros, esquecimentos e acidentes evitáveis.


Essa espiral é cruel: quanto mais o motorista se estressa, mais sua performance piora — e quanto mais a performance cai, maior a cobrança. É um loop emocional e operacional que precisa ser rompido urgentemente.


Como quebrar esse ciclo


A boa notícia é que há caminhos possíveis. O estresse não pode ser eliminado completamente — afinal, ele é parte da vida nas cidades —, mas pode ser gerenciado e ressignificado.


Psicólogos organizacionais apontam três pilares para a regulação emocional de motoristas em ambientes de alta pressão:


Autopercepção: reconhecer os sinais físicos e mentais do estresse antes que ele se transforme em exaustão.

Regulação emocional: usar técnicas simples de respiração, pausas curtas e pensamento consciente para reduzir a tensão imediata.

Apoio organizacional: empresas precisam oferecer canais de escuta, treinamento emocional e feedbacks que não reforcem a culpa, mas a autoconsciência.


O psicólogo Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional, já dizia: “As emoções podem comandar nossos pensamentos — a inteligência emocional é o que nos permite comandar as emoções.”


No caso dos motoristas urbanos, isso significa educar a emoção tanto quanto o comportamento ao volante.


Tecnologia e empatia: o papel da MOBS2 nessa jornada


Na MOBS2, acreditamos que tecnologia e cuidado humano devem andar lado a lado. Por isso, dentro do aplicativo MYMOBS, o motorista urbano agora conta com o Emocionômetro — uma ferramenta simples, mas poderosa.


Com ela, o condutor pode registrar seu estado emocional antes ou depois do turno e, a partir dessa informação, recebe vídeos curtos de apoio socioemocional, criados especialmente para ajudar no controle do estresse, da raiva e da fadiga.


É a inteligência artificial a serviço da inteligência emocional. Uma forma prática e moderna de cuidar da mente de quem cuida do trânsito das cidades.


Cuidar das emoções é cuidar da mobilidade


O trânsito urbano é uma orquestra caótica onde cada motorista é, ao mesmo tempo, maestro e vítima do ruído. Cuidar das emoções desses profissionais não é luxo — é uma exigência para o futuro do transporte. Com a chegada da nova NR1, cuidar da saúde emocional deixará de ser um diferencial e passará a ser uma obrigação legal e ética.


Mas, para a MOBS2, isso vai além de norma: é um compromisso com o ser humano. Afinal, não existe transporte inteligente sem condutores emocionalmente equilibrados. Fale conosco e transforme a gestão de sua frota com cuidados socioemocionais.

MOBS2 — Inteligência que move. Cuidar de quem dirige é cuidar do caminho, da cidade e das pessoas.




 
 
 
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